O livro “Procurar Emprego Nunca Mais”, que me consumiu pelo
menos uma centena de noites mal dormidas, errou ao ter tentado ajudar meus
leitores e leitoras a acumular renda a partir de parâmetros típicos da produção
agrícola, industrial e comercial.
Todos os artifícios que julguei criativos estimulavam, agora
vejo, a geração convencional de riquezas com suor e músculos, com inspiração e
inventividade.
Apostei e induzi muita gente a acreditar na relação humana e
produtiva entre gestores das organizações que emergiriam e seus empregados,
fornecedores e clientes finais.
Errei feio por ainda não conhecer Victor José Hohl, o
ex-economista do Banco Central que resolveu, agora, abrir os bastidores do
sistema financeiro para nós, pobres mortais.
“Gerar e acumular riquezas de maneira convencional, como nossos
pais e avós fizeram, perdeu espaço para as agressivas transferências de renda
que o sistema financeiro impõe aos agrupamentos humanos onde, cada vez mais,
predomina”, ensina Victor José, ex-mandarim financeiro do Banco Central, onde
ocupou cargos de destaque por mais de duas décadas.
Suas reflexões continuam: “A partir de 1989, com a chegada da
Internet e com o desenvolvimento da tecnologia da informação a manipulação
financeira das rendas e das riquezas ampliou exponencialmente sua capilaridade
para todos os rincões produtivos do planeta”, me conta Victor José Hohl.
O resultado é que em menos de três décadas fomos submetidos
radicalmente às leis não escritas, mas válidas, do capital financeiro. Que nos
mantêm como marionetes produtoras de riquezas nos mesmos setores produtivos anteriores:
agricultura, indústria, comércio e serviços, mas com a diferença de nos
submeter a um imposto implacável, que transfere brutalmente nossas rendas para
uma elite financeira, sem nos darmos conta.
Uma elite cada vez mais restrita, composta por menos de 1% da
população do planeta, mas cada vez mais rica e poderosa a ponto de conseguir superar
os mais terríveis pesadelos descritos no “1984” de George Orwel.
O sábio mandarim financeiro Victor José nos traz à luz o livro
“1984”, que tem como cenário uma sociedade governada por um Estado supremo
(onisciente, onipresente e onipotente), que consegue oprimir aqueles que
divergem de suas ordens e penetrar em suas mentes.
...[Interrompa sua
leitura e imagine se você conseguiria sobreviver uma semana sequer sem a
onisciência, onipresença e onipotência de seu banco ou de seu cartão de
crédito.]
Em “1984”, o Estado se expressa por meio do Partido, que
trabalha incessantemente para conseguir controlar os cidadãos, o que faz
privando-os de sua liberdade. A todo o momento, pessoas são expostas ao
controle do Estado, o detentor absoluto dos meios de comunicação.
...[Interrompa mais uma vez a
leitura e tente imaginar pagar por um carro, uma casa, a faculdade de seus
filhos ou mesmo a sua aposentadoria sem entregar sua vida inteira ao sistema
financeiro.]
Com a presença absoluta do Partido, relata George Orwel, em
“1984”, os cidadãos são forçados a viver cercados de todos os tipos de
propaganda com informações manipuladas.
As cidades são cheias de cartazes impressos com o Grande
Irmão, o líder do partido, e sua frase: “Big Brother is watching you”,
lembrando à população que o Partido estava sempre vigiando suas vidas.
De novo, a lucidez de Victor José Hohl se impõe ao nos chamar a
atenção para o fato de estarmos irremediavelmente submetidos ao Grande Irmão
Financeiro, que controla subliminarmente nossos corações, mentes e bolsos.
E nos vicia a ponto de aceitarmos juros extorsivos, absurdos e
desnecessários para financiarmos nosso acesso aos bens que nos tornam humanos,
entregando nossas vidas e nossas rendas.
Mas nem tudo está perdido.
Ainda nos restam alguns sábios que operaram por dentro do
sistema e, como Victor José Hohl, estão dispostos a dividir conosco a
Autoconsciência Financeira.

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