Mesmo
que você nunca tenha ouvido falar ou lido sobre o “Mito da Caverna”, escrito
por Platão em “A República”, entre os anos 380 e 370 antes de Cristo, talvez
entenda quando descrevermos como o Grande Irmão Financeiro e seus gerentes manipulam
nossas percepções para nos manter cegos à autoconsciência financeira ao longo
de toda a vida.
Através
da manipulação continuada em todos os aspectos de nossa vida produtiva, na nossa
confirmação como cidadãos e consumidores, seus agentes e gerentes conseguem nos
tornar indiferentes, por absoluta ignorância, às transferências que realizam das
nossas rendas para seus cofres, cada vez mais gordos, na forma de juros sobre
juros, taxas e tarifas bancárias.
A
maioria da humanidade, atualmente, como os escravos que ilustram a história de
Platão, está “presa desde a infância no fundo de uma caverna, imobilizada de
costas para a entrada e obrigada a olhar sempre a parede em frente”.
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| Platão |
Platão
e nós, com ajuda do nosso mentor Victor José Hohl, ex-economista do Banco
Central indagamos: “O que se vê nessa parede, então?”
Na
versão de “A República”, os habitantes das cavernas, como nós, submetidos às
manipulações que nos subtrai a autoconsciência financeira, explicariam as
sombras projetadas nas paredes como a reprodução fidedigna da realidade fora da
caverna. E viveriam, portanto, toda a sua existência completamente dominados
pela ignorância.
“É apoiado
nessa ignorância que o Grande Irmão Financeiro se apóia para subtrair e
transferir rendas dos nossos bolsos para seus cofres”, nos explica Victor José
Hohl.
E
cita como exemplo o texto publicado pelo jornal “Valor Econômico”, em 17 de
setembro de 2013, com o título “No limite do endividamento”.
O
texto culpa da primeira à última linha o correntista, o cidadão e o consumidor
por sua situação de endividamento. No destaque da matéria, o alerta: “Diante da
economia mais fraca, hora é propícia para reduzir o comprometimento da renda
com dívida. E nada melhor do que fazer isso quando se está empregado.”
A
valer as lições de sombras financeiras que o texto nos passa, a culpa pelo
crédito abundante é do tomador. Ou seja, do cliente, correntista, consumidor e
sustentador do sistema financeiro.
Os
bancos e seus gerentes, com seus economistas de plantão, com jornalistas nas
assessorias de imprensa, com psicólogos e analistas de mercado, com seus softwares
e profissionais formados em Análise e Avaliação do Risco de Crédito, nem sequer
são mencionados.
A
responsabilidade, como o pecado original, recai sobre os consumidores-cidadãos
retidos nas cavernas financeiras, portanto sem uma visão ampla de como o Grande
Irmão Financeiro, descaradamente, enfia a mão em nossos bolsos.
Que
realiza, através de seus gerentes e agentes, transferências de renda em todas
as nossas decisões de consumo. Na compra à vista (com juros embutidos) ou a
prazo (com juros sobre juros e taxas) quando adquirimos eletrodomésticos,
carros ou assinamos crediários de 30 ou 35 anos para a compra do nosso teto.
Mas
com a ajuda de Victor José Hohl aprendemos a ler nas entrelinhas dos textos
unilaterais a serviço do Grande Irmão Financeiro, como esse publicado no jornal
“Valor Econômico”.
O
que se pretende é que corramos aos bancos para refinanciar nossas dívidas. Para
renegociar, assim, novos financiamentos, com novas taxas de juros, com prazos
mais amplos.
E
com essa atitude, assumamos, unilateralmente, a responsabilidade pelo crediário
que nos foi concedido através da cumplicidade do sistema financeiro, que
precisa empresta com um único objetivo: alavancar seus ganhos.
Um
dos exercícios imaginados por Platão é soltar no mundo real algum dos escravos
das cavernas. Nós, distantes, ainda da autoconsciência financeira, talvez nos
confundíssemos, como os escravos libertos, diante dos sinais que captaríamos
fora da caverna.
Mas ao
comparar nossa situação de culpados a priori pelos créditos que negociamos em
condições desiguais com os ganhos dos bancos teremos, com o impacto, um choque
de consciência.
Ainda
mais se nos lembrarmos que o gerente do banco tem sempre a palavra final e impõe,
como faz, os juros e os prazos e pode, até mesmo, negar o financiamento.
Lucros estratosféricos
Os
24 maiores bancos brasileiros, lideraram os ganhos no país entre as 310
principais empresas com ações na Bolsa de Valores. Segundo levantamento da
consultoria Economatica, os bancos ganharam, juntos, R$ 17,13 bilhões no 2º
trimestre de 2013. Com volume de R$ 5,4 bilhões maior do que no mesmo período
do ano anterior (quando tinham lucrado R$ 11,69 bilhões).
De
onde vem tanto lucro?
O
Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconomicos)
explica, através da Nota Técnica, publicada em abril de 2013, com o título Um
novo cenário para o setor financeiro no Brasil:
“Vale
ressaltar que, apesar da queda observada, o spread geral da economia brasileira
continua extremamente elevado quando comparado ao padrão internacional. Na
Argentina, no Chile, no México, na África do Sul, na China, na Rússia, por exemplo,
os spreads se situam entre 3 e 4 pontos percentuais ao ano, ante 12,2 p.p. no
Brasil.”
Spread
bancário é a diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o
que eles cobram ao conceder um empréstimo para uma pessoa física ou jurídica.
Somam-se
aos ganhos com spread, o arrocho salarial e a redução do número de bancários,
de acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito,
a Contec. A entidade que representa os interesses econômicos dos trabalhadores
do sistema financeiro mostra que desde 1994, os bancários tiveram perdas
salariais que acumulam 42,73%. E que só em 2012, foram eliminadas 10.380 vagas
no sistema.
“Vivemos ou não uma época adequada para que assumamos, mesmo com esforço, nossa autoconsciência financeira, e aprender a controlar nossas rendas, duramente conquistadas, fora das cavernas do Grande Irmão Financeiro?”, indaga Victor José Hohl, com sua experiência acumulada em décadas nos labirintos do Banco Central que o ajudou a perceber (e, agora, nos repassar) a autoconsciência financeira.
“Vivemos ou não uma época adequada para que assumamos, mesmo com esforço, nossa autoconsciência financeira, e aprender a controlar nossas rendas, duramente conquistadas, fora das cavernas do Grande Irmão Financeiro?”, indaga Victor José Hohl, com sua experiência acumulada em décadas nos labirintos do Banco Central que o ajudou a perceber (e, agora, nos repassar) a autoconsciência financeira.


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