Se a
gente pretende mesmo avançar para a Autoconsciência Financeira, me diz Victor
José Hohl, devemos nos esforçar para ajudar as pessoas que nos procuram a
entender porque Warren Buffett, um dos mais bem sucedidos investidores em ações
do mundo, afirma com todas as letras que “diversificação ampla é coisa de
investidor que não entende o que está fazendo”.
A
partir dessa dica, lá vamos nós, mais uma vez, na grata tarefa de tentar
traduzir a convicção de Warren Buffett e aproveitar, assim, mais uma dica de
Victor José Hohl.
Que
acumulou o que sabe (e se manteve íntegro, a ponto de dividir seu conhecimento
com a gente) após mais de duas décadas como profissional concursado no Banco
Central do Brasil.
(Abre parênteses – vamos conhecer um
pouquinho Victor José Hohl (foto), que é natural de Blumenau, Santa Catarina.
Formou-se em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo e em Ciências Contábeis pela mesma universidade. Traz no currículo a
pós-graduação em Economia, pela Fundação Getúlio Vargas.
“Passei
em todos os concursos públicos que prestei”, se orgulha. Os resultados estão
aí. Foi aprovado nos concurso para Fiscal Arrecadador do Estado de Goiás; no
concurso para Fiscal dos Tributos Federais e no concurso para Economista do
Banco Central do Brasil, onde ao longo de mais de duas décadas serviu ao
governo brasileiro. Sempre preocupado, como diz, em ajudar as instituições
públicas a que serviu a se transformar numa correia transmissora de bem-estar
para os contribuintes que a sustentam.
Hoje,
aos 70 anos, Victor José Hohl assume a plenitude de sua vocação de professor,
mestre e de divulgador das realidades financeiras que conhece profundamente:
“Quero ajudar as pessoas a buscar a verdadeira educação financeira, que você
chama de autoconsciência financeira, para fazer frente às permanentes
manipulações que só através da manipulação continuara transfere renda de uma
classe média trabalhadora e geradora de riquezas para os cofres das
financeiras, corretoras e bancos”, diz. Fecha
parênteses)
Warren Buffett
Voltemos,
pois, ao desafio proposto por Victor José Hohl e tentemos entender porque
Warren Buffett (foto ao lado) condena a diversificação.
Primeiro,
o principal ganho das corretoras e bancos vêm das taxas de administração. “Por
isso, a maioria condena os investimentos em poupança que dispensa os
intermediários”, alerta Victor José.
Ao
aconselharem a diversificação, os intermediários mantêm a cenourinha nas
expectativas de ganhos dos seus clientes desinformados. “A diversificação é um
jogo de soma zero. O que se ganha num ação, perde na outra. E na média fica
tudo igual e, na maioria das vezes, perde-se para a inflação, por causa dos
impostos, das tarifas e das comissões que são descontadas no resgate”, ensina
Victor José Hohl.
Aversão às perdas
Somos
induzidos a diversificar nossas aplicações porque os agentes do Grande Irmão
Financeiro, que você os conhece através de seus gerentes, corretores ou
conselheiros financeiros vinculados às grandes instituições do mercado, já
sabiam desde os tempos remotos que a maioria das pessoas tem aversão às perdas.
E que estão dispostas a pagar para conseguir uma relativa tranquilidade quando
se sentem responsáveis pelos eventuais resultados de suas aplicações.
Daniel Kahneman
A
“aversão às perdas” foi sistematizada e exposta ao mundo pelos psicólogos
israelenses Daniel Kahneman (foto) e Amos Tversky. A descoberta fez tanto sucesso que
ele foi o primeiro psicólogo a receber o Prêmio Nobel de Economia por seus estudos, em
2002.
Conclusões
que amadureceram a partir de uma pesquisa com os instrutores de vôo do exército
israelense, onde o futuro Prêmio Nobel trabalhava como psicólogo.
Ele
descobriu que o desempenho dos pilotos de caça tendia a regredir sempre ao desempenho médio. Se um
piloto registrava um ótimo desempenho em suas três últimas aterrissagens, a
probabilidade da próxima ter um desempenho ruim é maior.
E se
o profissional registra um desempenho ruim em suas três últimas
aterrissagens, a probabilidade da próxima aterrissagem ter um ótimo desempenho
é maior.
Daniel
Kahneman chamou a atenção para comportamentos que tendem a regredir a sua média, como
se existisse uma força propulsora empurrando para a média.
Mas
não ficou só nessa descoberta. O psicólogo e Nobel de Economia descobriu também
que temos uma aversão ancestral às perdas.
Segundo
as descobertas de Daniel Kahneman, as pessoas não têm aversão ao risco e sim à
perda.
As pessoas preferem não sofrer a dor da perda do que o prazer de um
ganho equivalente, ou seja, é preferível não
perder R$100,00 a ganhar R$100,00. Também assumem riscos quando estão
perdendo, mas são totalmente avessos ao risco quando estão ganhando.
Paraíso dos manipuladores
Os
manipuladores do Grande Irmão Financeiro já pressentiam essa realidade ancestral
de aversão às perdas. E mesmo quando foram expostos pelas constantes análises e
artigos em torno do prêmio Nobel de Economia conquistado por Daniel Kahneman em 2002, sabiam que
poderiam continuar a apostar (e a ganhar) comissões, tarifas cobradas a título
de gerenciamento de nossas aplicações, todas com resultados medianos. E muitas
perdendo inclusive para a inflação.
Como
publica a Revista Exame de setembro, nas bancas, ao
falar do fundo DI Classic, o mais caro do país, do banco Santander, que cobra
5% de taxa de administração. “Em 12 meses, o fundo teve um rendimento líquido
de apenas 2,4%, o que corresponde a cerca de 4 milhões de reais, divididos
entre 176 mil cotistas. Já o banco recebeu 161 milhões de reais, como resultado
da aplicação da taxa de administração sobre o patrimônio.”
“Quer
exemplo mais contundente de agentes do Grande Irmão Financeiro ganhando taxas
astronômicas para aparentemente proteger as pessoas da aversão ao risco, com
resultados que perdem, inclusive, para a inflação”, afirma Victor José Hohl.
Que
nos remete a Warren Buffett, quando afirma que “diversificação ampla é coisa de
investidor que não entende o que está fazendo”.
Ou seja, em troca da aversão às
perdas, temos nossa renda sistematicamente transferida para os cofres do Grande
Irmão Financeiro, que nos subtraem comissões e taxas e nos entregam resultados
que muitas vezes perdem para a inflação.
A saída é cuidar, nós mesmos, de nossas finanças. Mas nesse caso precisamos investir, primeiro, em nossa Autoconsciência Financeira.


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