terça-feira, 17 de setembro de 2013

Grande Irmão Financeiro fatura com nossa “aversão às perdas”

Se a gente pretende mesmo avançar para a Autoconsciência Financeira, me diz Victor José Hohl, devemos nos esforçar para ajudar as pessoas que nos procuram a entender porque Warren Buffett, um dos mais bem sucedidos investidores em ações do mundo, afirma com todas as letras que “diversificação ampla é coisa de investidor que não entende o que está fazendo”.
A partir dessa dica, lá vamos nós, mais uma vez, na grata tarefa de tentar traduzir a convicção de Warren Buffett e aproveitar, assim, mais uma dica de Victor José Hohl.
Que acumulou o que sabe (e se manteve íntegro, a ponto de dividir seu conhecimento com a gente) após mais de duas décadas como profissional concursado no Banco Central do Brasil.
(Abre parênteses – vamos conhecer um pouquinho Victor José Hohl (foto), que é natural de Blumenau, Santa Catarina. Formou-se em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Contábeis pela mesma universidade. Traz no currículo a pós-graduação em Economia, pela Fundação Getúlio Vargas. 
“Passei em todos os concursos públicos que prestei”, se orgulha. Os resultados estão aí. Foi aprovado nos concurso para Fiscal Arrecadador do Estado de Goiás; no concurso para Fiscal dos Tributos Federais e no concurso para Economista do Banco Central do Brasil, onde ao longo de mais de duas décadas serviu ao governo brasileiro. Sempre preocupado, como diz, em ajudar as instituições públicas a que serviu a se transformar numa correia transmissora de bem-estar para os contribuintes que a sustentam.
Hoje, aos 70 anos, Victor José Hohl assume a plenitude de sua vocação de professor, mestre e de divulgador das realidades financeiras que conhece profundamente: “Quero ajudar as pessoas a buscar a verdadeira educação financeira, que você chama de autoconsciência financeira, para fazer frente às permanentes manipulações que só através da manipulação continuara transfere renda de uma classe média trabalhadora e geradora de riquezas para os cofres das financeiras, corretoras e bancos”, diz. Fecha parênteses)

Warren Buffett
Voltemos, pois, ao desafio proposto por Victor José Hohl e tentemos entender porque Warren Buffett (foto ao lado) condena a diversificação.
Primeiro, o principal ganho das corretoras e bancos vêm das taxas de administração. “Por isso, a maioria condena os investimentos em poupança que dispensa os intermediários”, alerta Victor José.
Ao aconselharem a diversificação, os intermediários mantêm a cenourinha nas expectativas de ganhos dos seus clientes desinformados. “A diversificação é um jogo de soma zero. O que se ganha num ação, perde na outra. E na média fica tudo igual e, na maioria das vezes, perde-se para a inflação, por causa dos impostos, das tarifas e das comissões que são descontadas no resgate”, ensina Victor José Hohl.

Aversão às perdas
Somos induzidos a diversificar nossas aplicações porque os agentes do Grande Irmão Financeiro, que você os conhece através de seus gerentes, corretores ou conselheiros financeiros vinculados às grandes instituições do mercado, já sabiam desde os tempos remotos que a maioria das pessoas tem aversão às perdas. 
E que estão dispostas a pagar para conseguir uma relativa tranquilidade quando se sentem responsáveis pelos eventuais resultados de suas aplicações.

Daniel Kahneman
A “aversão às perdas” foi sistematizada e exposta ao mundo pelos psicólogos israelenses Daniel Kahneman (foto) e Amos Tversky. A descoberta fez tanto sucesso que ele foi o primeiro psicólogo a receber o Prêmio Nobel de Economia por seus estudos, em 2002.
Conclusões que amadureceram a partir de uma pesquisa com os instrutores de vôo do exército israelense, onde o futuro Prêmio Nobel trabalhava como psicólogo.
Ele descobriu que o desempenho dos pilotos de caça tendia  a regredir sempre ao desempenho médio. Se um piloto registrava um ótimo desempenho em suas três últimas aterrissagens, a probabilidade da próxima ter um desempenho ruim é maior.
E se o profissional registra um desempenho ruim em suas três últimas aterrissagens, a probabilidade da próxima aterrissagem ter um ótimo desempenho é maior.
Daniel Kahneman chamou a atenção para comportamentos que tendem a regredir a sua média, como se existisse uma força propulsora empurrando para a média.
Mas não ficou só nessa descoberta. O psicólogo e Nobel de Economia descobriu também que temos uma aversão ancestral às perdas.
Segundo as descobertas de Daniel Kahneman, as pessoas não têm aversão ao risco e sim à perda. 
As pessoas preferem não sofrer a dor da perda do que o prazer de um ganho equivalente, ou seja, é preferível não perder R$100,00 a ganhar R$100,00. Também assumem riscos quando estão perdendo, mas são totalmente avessos ao risco quando estão ganhando.

Paraíso dos manipuladores
Os manipuladores do Grande Irmão Financeiro já pressentiam essa realidade ancestral de aversão às perdas. E mesmo quando foram expostos pelas constantes análises e artigos em torno do prêmio Nobel de Economia conquistado por Daniel Kahneman em 2002, sabiam que poderiam continuar a apostar (e a ganhar) comissões, tarifas cobradas a título de gerenciamento de nossas aplicações, todas com resultados medianos. E muitas perdendo inclusive para a inflação.
Como publica a Revista Exame de setembro, nas bancas, ao falar do fundo DI Classic, o mais caro do país, do banco Santander, que cobra 5% de taxa de administração. “Em 12 meses, o fundo teve um rendimento líquido de apenas 2,4%, o que corresponde a cerca de 4 milhões de reais, divididos entre 176 mil cotistas. Já o banco recebeu 161 milhões de reais, como resultado da aplicação da taxa de administração sobre o patrimônio.”
“Quer exemplo mais contundente de agentes do Grande Irmão Financeiro ganhando taxas astronômicas para aparentemente proteger as pessoas da aversão ao risco, com resultados que perdem, inclusive, para a inflação”, afirma Victor José Hohl.
Que nos remete a Warren Buffett, quando afirma que “diversificação ampla é coisa de investidor que não entende o que está fazendo”. 
Ou seja, em troca da aversão às perdas, temos nossa renda sistematicamente transferida para os cofres do Grande Irmão Financeiro, que nos subtraem comissões e taxas e nos entregam resultados que muitas vezes perdem para a inflação.
A saída é cuidar, nós mesmos, de nossas finanças. Mas nesse caso precisamos investir, primeiro, em nossa Autoconsciência Financeira. 

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