quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O papa Francisco e o Grande Irmão Financeiro

Ao aprofundarmos em Autoconsciência Financeira com o apoio irrestrito do ex-economista do Banco Central, Victor José Hohl, literalmente, viajamos por reflexões, que nos vinculam, como marionetes, ao inconsciente coletivo de nossa época.
Um inconsciente coletivo que tem o dinheiro como seu principal símbolo, a ponto de até o Papa Francisco ter condenado a “idolatria do dinheiro” em recente entrevista ao Fantástico, quando da sua visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude.
Dinheiro do qual somos marionetes e cúmplices, na sua recriação permanente.
E quando tratamos da Autoconsciência Financeira, na tentativa de otimizar nossa sobrevivência, nossas abstrações coletivas nos remetem novamente ao dinheiro.
E basta um pouco de reflexão para esbarrarmos nas mesmas dificuldades que Santo Agostinho relata em Confissões: “Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei.” 
“O que é, pois, o dinheiro? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei”, repete Victor José Hol, parafraseando Santo Agostinho.
E é desse contato abstrato com o dinheiro, ao mesmo tempo tão fundamental e escorregadio, símbolo de relações sociais, culturais, emocionais e morais, que surgem as dificuldades de assumirmos o controle consciente de nossas finanças.
Daí a necessidade de nos esforçarmos para superar nosso senso comum e atingir um estágio mínimo de sabedoria que nos permita fazer frente, através da Autoconsciência Financeira, às manipulações que nos são impostas pelos gestores a serviço do Grande Irmão Financeiro.
No livro “Desejo Congelado”, o jornalista inglês James Buchan nos ajuda a avançar um pouquinho além de Santo Agostinho e nos ensina que “o dinheiro é nossa maior invenção... a língua que quase todo ser humano fala e compreende”.
Segundo o autor, o dinheiro é desejo congelado, porque a economia monetária conquistou o mundo. Como? O dinheiro oferece a promessa descongelar o ilimitado desejo humano. Sem hesitar em comprar (ao se trocar por) nossos valores mais abstratos como honra, amizade, dever, amor à natureza e orgulho do trabalho.
A ponto de nos tornarmos cúmplices do gerenciamento do dinheiro, tendo pouco ou muito. E sermos obrigados, talvez, a nos redimir dos pecados que cometemos ao nos relacionar com o dinheiro, através de uma das orações mais humanas da Igreja Católica:
“Confesso a Deus Todo-Poderoso/e a vós, irmãos,/que pequei muitas vezes/por pensamentos, palavras,/atos e omissões,/por minha, culpa,/minha máxima culpa”.
Até que o papa Francisco, na sua santidade, humanidade e carisma chega para nos libertar desse pesadelo.
Eis as declarações do Papa Francisco ao repórter Gerson Camarotti, da Globo News:
“Quando recebi um grupo de embaixadores que vieram me apresentar suas credenciais, disse que o mundo atual, em que vivemos, tinha caído na feroz idolatria do dinheiro. E que há uma política mundial, mundial, muito impregnada pelo protagonismo do dinheiro. Quem manda hoje é o dinheiro. Isso significa uma política mundial economicista, sem qualquer controle ético, um economicismo autossuficiente, e que vai arrumando os grupos sociais de acordo com essa conveniência.”
O Santo Padre continua: “O que acontece então? Quando reina este mundo da feroz idolatria do dinheiro, se concentra muito no centro. E as pontas da sociedade, os extremos, são mal atendidos, não são cuidados, e são descartados. Até agora, vimos claramente como se descartam os idosos. Há toda uma filosofia para descartar os idosos. Não servem. Não produzem. Os jovens também não produzem muito. São uma carga que precisa ser formada. O que estamos vendo agora é que a outra ponta, a dos jovens, está em vias de ser descartada.”
E arremata: “Então para sustentar esse modelo político mundial, estamos descartando os extremos. Curiosamente, os que são promessa para o futuro. Porque o futuro quem nos vai dar são os jovens, que seguirão adiante, e os idosos, que precisam transferir sabedoria aos jovens. Descartando os dois, o mundo desaba.”
Autoconsciência Financeira – É daí a necessidade urgente de assumirmos a Autoconsciência Financeira para enfrentar e superar, conscientemente, “esse modelo político mundial”, como define o Papa, a serviço do Grande Irmão Financeiro.

Que nos manipula desde a juventude com a promessa de descongelar nossos desejos. E que exige em troca nossas energias, na melhor fase de nossas vidas produtivas, e depois nos descarta quando idosos. 

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