Ao aprofundarmos em
Autoconsciência Financeira com o apoio irrestrito do ex-economista do Banco
Central, Victor José Hohl, literalmente, viajamos por reflexões, que nos
vinculam, como marionetes, ao inconsciente coletivo de nossa época.
Um inconsciente coletivo
que tem o dinheiro como seu principal símbolo, a ponto de até o Papa Francisco
ter condenado a “idolatria do dinheiro” em recente entrevista ao Fantástico,
quando da sua visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude.
Dinheiro do qual somos marionetes
e cúmplices, na sua recriação permanente.
E quando tratamos da
Autoconsciência Financeira, na tentativa de otimizar nossa sobrevivência,
nossas abstrações coletivas nos remetem novamente ao dinheiro.
E basta um pouco de
reflexão para esbarrarmos nas mesmas dificuldades que Santo Agostinho relata em
Confissões: “Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas
se quiser explicar a quem indaga, já não sei.”
“O que é, pois, o
dinheiro? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga,
já não sei”, repete Victor José Hol, parafraseando Santo Agostinho.
E é desse contato
abstrato com o dinheiro, ao mesmo tempo tão fundamental e escorregadio, símbolo
de relações sociais, culturais, emocionais e morais, que surgem as dificuldades
de assumirmos o controle consciente de nossas finanças.
Daí a necessidade de nos
esforçarmos para superar nosso senso comum e atingir um estágio mínimo de
sabedoria que nos permita fazer frente, através da Autoconsciência Financeira,
às manipulações que nos são impostas pelos gestores a serviço do Grande Irmão
Financeiro.
No livro “Desejo
Congelado”, o jornalista inglês James Buchan nos ajuda a avançar um pouquinho
além de Santo Agostinho e nos ensina que “o dinheiro é nossa maior invenção...
a língua que quase todo ser humano fala e compreende”.
Segundo o autor, o
dinheiro é desejo congelado, porque a economia monetária conquistou o mundo.
Como? O dinheiro oferece a promessa descongelar o ilimitado desejo humano. Sem
hesitar em comprar (ao se trocar por) nossos valores mais abstratos como honra,
amizade, dever, amor à natureza e orgulho do trabalho.
A ponto de nos tornarmos
cúmplices do gerenciamento do dinheiro, tendo pouco ou muito. E sermos
obrigados, talvez, a nos redimir dos pecados que cometemos ao nos relacionar
com o dinheiro, através de uma das orações mais humanas da Igreja Católica:
“Confesso a Deus Todo-Poderoso/e a vós, irmãos,/que pequei muitas vezes/por
pensamentos, palavras,/atos e omissões,/por minha, culpa,/minha máxima culpa”.
Até que o papa Francisco,
na sua santidade, humanidade e carisma chega para nos libertar desse pesadelo.
Eis as declarações do
Papa Francisco ao repórter Gerson Camarotti, da Globo News:
“Quando recebi um grupo
de embaixadores que vieram me apresentar suas credenciais, disse que o mundo
atual, em que vivemos, tinha caído na feroz idolatria do dinheiro. E que há uma
política mundial, mundial, muito impregnada pelo protagonismo do dinheiro. Quem
manda hoje é o dinheiro. Isso significa uma política mundial economicista, sem
qualquer controle ético, um economicismo autossuficiente, e que vai arrumando
os grupos sociais de acordo com essa conveniência.”
O Santo Padre continua: “O
que acontece então? Quando reina este mundo da feroz idolatria do dinheiro, se
concentra muito no centro. E as pontas da sociedade, os extremos, são mal
atendidos, não são cuidados, e são descartados. Até agora, vimos claramente
como se descartam os idosos. Há toda uma filosofia para descartar os idosos.
Não servem. Não produzem. Os jovens também não produzem muito. São uma carga
que precisa ser formada. O que estamos vendo agora é que a outra ponta, a
dos jovens, está em vias de ser descartada.”
E arremata: “Então para
sustentar esse modelo político mundial, estamos descartando os extremos.
Curiosamente, os que são promessa para o futuro. Porque o futuro quem nos vai
dar são os jovens, que seguirão adiante, e os idosos, que precisam transferir
sabedoria aos jovens. Descartando os dois, o mundo desaba.”
Autoconsciência Financeira – É daí a necessidade
urgente de assumirmos a Autoconsciência Financeira para enfrentar e superar,
conscientemente, “esse modelo político mundial”, como define o Papa, a serviço
do Grande Irmão Financeiro.
Que nos manipula desde a
juventude com a promessa de descongelar nossos desejos. E que exige em troca nossas
energias, na melhor fase de nossas vidas produtivas, e depois nos descarta
quando idosos.

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