domingo, 15 de setembro de 2013

O Grande Irmão Financeiro manipula seu extrato bancário


O meu relacionamento com Victor José Hohl, ex-economista do Banco Central, é sempre tenso e cuidadoso. Primeiro por reconhecer os riscos que o ex-economista do Banco Central assume ao me mostrar os labirintos ardilosamente construídos pelo Grande Irmão Financeiro e seus agentes.
A partir das dicas preciosas, que corajosamente me entrega, meu trabalho é sustentar sua orientação com informações disponíveis, confirmadas e não contestadas pelos agentes do Grande Irmão Financeiro.
Acredite, como o Grande Irmão do livro “1984” de George Orwell, eles estão sempre monitorando qualquer “livre pensar” e, principalmente, “livre agir” que tentamos difundir aqui através da Autoconsciência Financeira.
Porque através das redes sociais, dos blogs e da coragem de alguns estudiosos, aos poucos perceberemos que caem uma a uma as máscaras do Grande Irmão Financeiro. Nos confirmando no caminho da Autoconsciência Financeira, que podemos estancar a sangria desatada e a brutal transferência de renda que o sistema realiza em nossas contas bancárias.
Mas, por enquanto, somos obrigados a uma corrida insana em busca da estabilidade financeira. Pois a maior parte de nossas reservas nos escapam através de juros compostos, taxas e spreads bancários. Vítimas (e algumas vezes cúmplices inocentes) do grande esquema financeiro que se alimenta do nosso próprio dinheiro para nos impor spreads, juros sobre juros e tarifas bancárias. 

Entenda a manipulação
Só após muito debate e troca de ideias tenho a autorização de Victor José Hohl de traduzir suas orientações para você que me lê e que, por uma questão de simples amostragem, deve muito provavelmente pertencer à imensa maioria que tem os bolsos e as rendas violados sistematicamente pelos agentes do Grande Irmão Financeiro.

Stephen Kanitz

Numa das nossas conversas, Victor José Hohl me falou “siga a sabedoria do Stephen Kanitz”. Não precisou falar duas vezes. Tive um contato rápido, num almoço, com  Stephen Kanitz há alguns anos. Ganhei dele o livro “Família acima de tudo”, que ainda mantenho em minha biblioteca.
Pois bem, voltemos a Stephen Kanitz. No seu blog aprendemos como  funciona o “O Engodo do Multiplicador Bancário”.
Com a clareza e simplicidade que o caracterizam, apoiado num currículo de mestre em Administração de Empresas pela Harvard Business School e bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo, a gente aprende que os bancos emprestam 90% do dinheiro que nós, pobres mortais, somos obrigados a confiar à sua guarda. Dinheiro de nosso salário, poupança e renda dos empreendimentos que tocamos por conta e risco.
Com a palavra Stephen Kanitz: “Você entregava o seu dinheiro, o caixa anotava numa caderneta de depósito e colocava o seu dinheiro, junto com o dos demais clientes, na Caixa Forte do Banco. Aí surgiu uma das grandes descobertas econômicas da época. 90% do dinheiro depositado nunca saía do lugar. A grande movimentação do retira e deposita se concentrava nos 10% de cima do dinheiro.” E completa: “Isto foi visto na época como uma grande oportunidade de lucro extra.”
As conclusões de Stephen Kanitz são confirmadas por Victor José Hohl e por autores como Alexandre Versignassi, no seu livro “Crash”, no capítulo 10, “A física quântica do dinheiro”.
O resumo é o seguinte, de acordo com Stephen Kanitz: “O banqueiro poderia emprestar 90% do dinheiro e cobrar juros. Sem você perceber.”
É o que transforma as nossas rendas em riquezas concentradas dos agentes do Grande Irmão Financeiro. Que se valem de todos os artifícios para nos manipular e manter nossa crença nas suas “expertises de bons cuidadores do nosso dinheiro.”
A ponto de confiarmos neles nossas poupanças, financiamento dos nossos imóveis, aplicações na Bolsa e, pasmem, nossas aposentadorias.
Stephen Kanitz nos alerta com bastante ênfase, mas ainda é apenas uma voz no deserto, que agora, a partir dos esforços de Victor José Hohl, tentamos ampliar com sua ajuda, leitor ou leitora, correntista, aplicador ou investidor sistematicamente enganado.
Fala de novo Stephen Kanitz: “Um banco poderia emprestar assim, 10 vezes o que os depositantes lhe confiaram. Óbvio, para este truque econômico funcionar é preciso mentir, fugir com a ética, e correr um risco bancário enorme, se os depositantes desconfiarem e passarem a retirar não 10% da grana, mas digamos 20% a 30%. Neste caso os Bancos não terão como pagar.”
E, com a mesma coragem de Victor José Hohl, gritamos, em coro com Stephen Kanitz: “Onde está a mentira?”
Está no seu extrato, meu caro. No que lhe é mais sagrado como a garantia de segurança de suas rendas. Como explica Stephen Kanitz, “quando você lê o seu extrato bancário, dizendo que você tem R$ 3.300,00 depositado em sua conta corrente, somente R$ 300,00 está de fato depositado”.
Sistematizou-se o estelionato bancário, onde o seu dinheiro é roubado “temporariamente”, ao longo dos anos, nas barbas dos governos que se tornaram cúmplices do Grande Irmão Financeiro.
Como explicam Stephen Kanitz e Victor José Hohl: dos seus R$ 3.300,00 depositados no banco (qualquer banco), R$ 3 mil estão emprestados, a juros altíssimos (alavancados pelo famoso spread bancário). Portanto, o saldo que o banco lhe envia é uma mentira.
Por isso, concordamos com Stephen Kanitz: “O correto seria pelo menos você receber os juros do seu dinheiro emprestado, ou no máximo cobrar uma comissão, e não contrário. Ainda pagar por um serviço bancário.”
Próximo post -- Serviços bancários, com tarifas contra seus interesses, com spreads e lucros astronômicos, ganhos ao surrupiarem nosso dinheiro e atrapalhando nossa independência financeira. Assunto que cuidaremos no próximo post deste blog. Se os radares dos agentes do Grande Irmão Financeiro não nos localizarem antes.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

As armadilhas de transferência e concentração de renda

O ex-economista do Banco Central, Victor José Hohl, me conta como funciona o covo, a armadilha preferencial dos índios e caiçaras, usada para a pescaria ininterrupta.
“Os índios e os caiçaras brasileiros constroem eles mesmos uma armadilha para peixe conhecida como covo. Se trata de uma armadilha feita de palha, bambu ou nas regiões mais urbanas, de redes de aço dessas usadas em galinheiros”, diz Victor José.
É tão simples o conceito que até mesmo as crianças já desenvolveram um covo construído com garrafas pets. (No pé do texto tem um link para o vídeo).
A teoria que sustenta a eficiência da armadilha é simples. Uma estrutura vazada, permite a passagem da água e mantém uma isca no seu interior. “Possui um buraco que permite o peixe entrar em busca da isca, mas não o deixa sair”, explica Victor José.
É uma armadilha que funciona 24 horas, 7 dias por semana. E de tempos em tempos, o indígena ou o caiçara passa recolhendo os peixes, que continuam ali, presos, mas vivos (e portanto conservados) e prontos para o consumo.
Qualquer semelhança entre o covo e a transferência de renda dos nossos bolsos incautos para os cofres do sistema financeiro não é, absolutamente, coincidência.
Podemos discutir e aprofundar as análises de concentração de renda como faz o portal Viomundo.
Mas nós somos bagrinhos que alimentamos, contra nossa vontade, os covos do Grande Irmão Financeiro. E ao buscarmos a ajuda de Victor José Hohl queremos receitas simples para evitar que continuemos a cair nas armadilhas que nos são colocadas a cada transação comercial.
Seja para comprar um eletrodoméstico, um carro ou uma casa. Somos achacados de maneira persistente, 24 horas por dia, 7 dias por semana, do primeiro choro ao último suspiro, e quando as análises do portal Viomundo nos mostram que vivemos num Brasil com uma das maiores concentrações de renda do planeta, não nos assustam, pois já sabíamos disso antes.
Basta avaliar o limite da inadimplência a que somos mantidos, depois de décadas trabalhando, para entender que para algum lugar vazaram as riquezas que ajudamos a gerar.
Apenas gostaríamos de buscar uma alternativa para estancar essa sangria desatada de nossos bolsos. E é aí que entram as sugestões, alertas e reflexões que Victor José Hohl nos passa através da Autoconsciência Financeira.

Como funcionam os covos financeiros
Nos viciamos, desde a tenra infância, nas iscas do consumo. A ponto de muitos de nós nos percebermos socialmente humanos através dos bens que possuímos ou pelos serviços que desfrutamos.
Como os peixes, acabamos retidos nas armadilhas das dívidas traduzidas em créditos imobiliários, que consomem vidas inteiras; ou em prestações com juros embutidos, que nos acompanham por anos, e que chegam, em algumas situações, a triplicar o que pagamos por nossos bens.
“Mas diferente dos peixes, o endividamento, muitas vezes fruto de uma tentativa de investimento e de alguma melhoria na vida, é assumido solitariamente”, explica Victor José Hohl.
É essa solidão absoluta que amplia (e confirma) a culpa individual e nos torna impotentes, mesmo quando sabemos que fomos induzidos ao crédito anabolizado com tarifas arbitrárias e juros sobre juros. Nos tornamos culpados assumidos e perdedores no cassino do Grande Irmão Financeiro.
E agora José?
Endividado, prestes a ser abandonado pelos amigos e parentes, você sente a qualidade de vida e os anéis escaparem pelos dedos. Só te resta o poeta Carlos Drummond de Andrade:

“E agora, José?/A festa acabou,/a luz apagou,/o povo sumiu,/a noite esfriou,/e agora, José?/e agora, Você?”

Sim, e agora Você?
Para os banqueiros e financeiras a dívida é tratada sem culpa. Principalmente porque quando é dívida entre os bancos é chamada de “transferências interbancárias de ordens de crédito”.
Numa operação que se repete milhares de vezes, todos os dias, com regras claras, propostas pelos próprios banqueiros e regulamentadas pelo Banco Central.
E se o pior acontece, se algum banco entra em colapso, o Estado é acionado e, de boa vontade, faz jorrar dinheiro público para a proteção do Grande Irmão Financeiro. Como aconteceu no mundo inteiro e no Brasil, em 2008.

Escapar da armadilha
Mas não somos peixes. Felizmente. E temos uma chance real de reagir e mudar nossa situação de vítimas preferenciais do Grande Irmão Financeiro.
Nos lembra Howard Rheingold, autor do livro “Smart Mobs” (“A sabedoria das multidões”, numa tradução livre): “A repentina erupção coordenada da cooperação entre as pessoas precipitou o colapso do comunismo”. E isso numa época e regimes em que a repressão inibia as manifestações individuais ou coletivas.
Mesmo assim, como acontecem em todas as mudanças sociais, a autoconsciência se cristaliza aos poucos até que as multidões vão para as ruas, se posicionam contra o que as oprime e como insiste Elis Regina em “Cartomante”: “Cai o rei de Espadas/Cai o rei de Ouros/Cai o rei de Paus/Cai não fica nada.” Ouça a canção aqui.
Não somos peixes, mas ainda assumimos as culpas pelos créditos que nos foram impostos. Mas aos poucos, damos razão às reflexões e lições que nos passa Victor José Hol, ex-economista do Banco Central.
Através da Autoconsciência Financeira vamos aprender como os milionários se tornam bilionários. Concentrando renda através dos covos que criam ao comandar o fluxo de crédito para seus cofres.
Nos impondo créditos escorchantes e vitalícios apenas por termos ambicionado conquistas como um carro, uma casa, uma roupa boa, itens que nos asseguram a plenitude humana. E pelos quais estamos dispostos a pagar o preço justo.
Ao reagir, interromperemos em grande parte o fluxo do nosso dinheiro para os cofres do Grande Irmão Financeiro. Vamos precisar, claro, da Autoconsciência Financeira.
E não é para ficarmos ricos. Mas para viver em paz com nossas finanças ao aprendermos a gerenciar, de acordo com os nossos interesses, os bens e valores que acumulamos.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A armadilha do financiamento imobiliário


“Uma pessoa com problemas graves de visão, mas sábia, evitará qualquer confronto físico com quem esteja bem das vistas. Do mesmo modo quem tem pleno domínio da visão deve evitar se bater com uma pessoa já treinada com a falta de visão que a convide para um confronto físico em um quarto escuro”, me conta Victor José Hohl, ex-economista do Banco Central que divide com a gente, através desse blog, das palestras e treinamentos, os bastidores do sistema financeiro no Brasil.
Ao aceitar as orientações que nos são “vendidas” pelos gerentes de bancos que tentam substituir a parceria adotada pelos corretores imobiliários nos tornamos cúmplices das aplicações realizadas. E, ao mesmo tempo, suas vítimas preferidas.
Sem estarmos preparados com as reflexões que emergem da autoconsciência financeira, corremos o risco de sermos levados para o quarto escuro dos banqueiros e assumirmos, passivamente, os imensos custos que nos serão impostos através de financiamentos que duram 15, 20, 30 anos.
Com um resultado perverso: com a exaustão da renda de uma vida toda, que será transferida dos nossos incautos bolsos para os cofres dos bancos e financeiras.

Bolha imobiliária
A isca da casa própria faz sentido porque vivemos, no Brasil, sob o domínio do “déficit habitacional” ancestral. Que já impregnou nossa cultura, hábitos e DNA. O déficit habitacional no Brasil é de 5,4 milhões de moradias, de acordo com a Nota Técnica Estimativas do Déficit Habitacional Brasileiro por Municípios, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em maio de 2013.
De um lado o déficit habitacional e do outro a ilusão criada com a suposta queda das taxas dos juros adotados em nossa economia, que apesar das recentes oscilações negativas, ainda são as maiores taxas mundiais.
E no meio está a classe média brasileira ansiosa pela garantia de um teto para chamar de seu. Classe média submetida às manipulações financeiras vigentes que transformam a aquisição da casa num investimento, e que nem sempre é a decisão mais acertada. Especialmente se a compra comprometer o rendimento da família por períodos de 25, 30 ou 35 anos.
Ao combinar a oferta de crédito, sempre de acordo com os interesses unilaterais do sistema financeiro, com o déficit habitacional de 5,4 milhões de moradias, o Brasil experimentou entre 2007 e 2012 uma valorização real (descontada a inflação) de 80% dos imóveis novos, segundo cálculos publicados pela Revista Exame.
Uma valorização excessiva que aponta para uma bolha imobiliária que deve, segundo alguns especialistas em mercado imobiliário, se exaurir entre 2014 e 2015.
De acordo com o professor Robert Shiller, foto ao lado, da Yale University, um dos principais estudiosos do mundo sobre preços de ativos e bolhas, “uma bolha é algo contagiante que nasce da percepção das pessoas que é fácil ganhar dinheiro com algo”.
Em entrevista a João Sandrini, para o Infomoney, Robert Shiller foi taxativo: “A mídia ajuda a criar essas bolhas com textos que sugerem a possibilidade de alta prolongada. Os bancos fazem sua parte concedendo crédito imobiliário para gente que não tem condições de pagar, porque depois eles vão revender esses créditos a investidores na forma de produtos financeiros (esclarecimento nosso: que nos Estados Unidos e na Europa ficaram conhecidos como subprime). Aconteceu nos EUA e acho que está acontecendo no Brasil agora”.
Portanto, se você ainda não incluiu a “autoconsciência financeira” nas suas decisões de investimento, sugerimos que pelo menos acompanhe as simulações que os próprios bancos nos repassam, certos que estão que não compreenderemos, e que devem (ou deveriam) nos servir de alerta máximo.

Simulação
Entre, por favor, no site http://simuladorimobiliario.poupex.com.br/, vinculado ao Banco do Brasil. Terá acesso, portanto, a informações acima de quaisquer suspeitas.
Simulamos um financiamento para um jovem com 31 anos, que acumulou uma poupança de R$ 100 mil, para dar de entrada no imóvel residencial, avaliado em R$ 360 mil.
O mais difícil é você acertar a renda (combinada ou individual) necessária para garantir o crédito. Descobrimos, na nossa simulação que a renda ideal é de R$ 9.950,04.
Com todas essas garantias (a entrada significativa de R$ 100 mil, o emprego estável, uma renda bem acima da média e a vinculação do crédito ao imóvel avaliado em R$ 360 mil), a prestação será fixada, no sistema Price, em R$ 2.487,51. 
Que terá a primeira prestação decomposta da seguinte maneira:
Amortização
R$
116,25
(+)
Juros
R$
2.155,83
(+)
FIA(Fator de Incremento da Prestação)
R$
113,60
(+)
Seguro MIP (Morte ou Invalidez Permante)
R$
44,72
(+)
Seguro DFI (Danos Físicos do Imóvel)
R$
39,60
(+)
IOF (Imposto sobre Operação Financeira)
R$
0,00
(+)
TGC (Tarifa de Gestão de Crédito)
R$
17,50
(+)
Como fizemos a simulação adotando a tabela Price, que mantém as prestações mais ou menos estáveis, mas reajustadas mensalmente através da Taxa Referencial (TR), é possível termos uma ideia de quanto o incauto comprador pagará só de juros ao final de 30 anos.
Basta multiplicar os juros médios mensais de R$ 2.155,83 por 360 meses (30 anos) e concluirá que sua família, filhos, filhas, gatos e cachorros repassarão algo perto de R$ 776.098,80, ao sistema financeiro. 
Ou três vezes o valor da dívida assumida, que era de R$ 260 mil, lembra-se?. Ou mais de duas vezes o valor nominal da residência, de R$ 360 mil.
Você poderá fazer a conta de outra maneira, igualmente assustadora. De cada duas casas financiadas, em parâmetros similares ao que adotamos aqui, uma é transferida para cofres do sistema financeiro.
Hora da poupança
Victor José Hohl na sua tranquila sabedoria de um economista que passou mais de duas décadas nos bastidores do Banco Central nos alerta que a hora é de apostar na poupança. 
Principalmente, por se tratar de uma aplicação sem taxas e controlada por quem investe. “Sem ter que sustentar intermediários”, diz. "É por isso, que muitos analistas financeiros condenam a poupança", nos avisa. 
Quem poupa terá, também, a possibilidade de melhorar suas negociações quando a bolha imobiliária murchar nos próximos dois anos e os preços dos imóveis se ajustarem ao que o investidor já acumulou na poupança.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O papa Francisco e o Grande Irmão Financeiro

Ao aprofundarmos em Autoconsciência Financeira com o apoio irrestrito do ex-economista do Banco Central, Victor José Hohl, literalmente, viajamos por reflexões, que nos vinculam, como marionetes, ao inconsciente coletivo de nossa época.
Um inconsciente coletivo que tem o dinheiro como seu principal símbolo, a ponto de até o Papa Francisco ter condenado a “idolatria do dinheiro” em recente entrevista ao Fantástico, quando da sua visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude.
Dinheiro do qual somos marionetes e cúmplices, na sua recriação permanente.
E quando tratamos da Autoconsciência Financeira, na tentativa de otimizar nossa sobrevivência, nossas abstrações coletivas nos remetem novamente ao dinheiro.
E basta um pouco de reflexão para esbarrarmos nas mesmas dificuldades que Santo Agostinho relata em Confissões: “Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei.” 
“O que é, pois, o dinheiro? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei”, repete Victor José Hol, parafraseando Santo Agostinho.
E é desse contato abstrato com o dinheiro, ao mesmo tempo tão fundamental e escorregadio, símbolo de relações sociais, culturais, emocionais e morais, que surgem as dificuldades de assumirmos o controle consciente de nossas finanças.
Daí a necessidade de nos esforçarmos para superar nosso senso comum e atingir um estágio mínimo de sabedoria que nos permita fazer frente, através da Autoconsciência Financeira, às manipulações que nos são impostas pelos gestores a serviço do Grande Irmão Financeiro.
No livro “Desejo Congelado”, o jornalista inglês James Buchan nos ajuda a avançar um pouquinho além de Santo Agostinho e nos ensina que “o dinheiro é nossa maior invenção... a língua que quase todo ser humano fala e compreende”.
Segundo o autor, o dinheiro é desejo congelado, porque a economia monetária conquistou o mundo. Como? O dinheiro oferece a promessa descongelar o ilimitado desejo humano. Sem hesitar em comprar (ao se trocar por) nossos valores mais abstratos como honra, amizade, dever, amor à natureza e orgulho do trabalho.
A ponto de nos tornarmos cúmplices do gerenciamento do dinheiro, tendo pouco ou muito. E sermos obrigados, talvez, a nos redimir dos pecados que cometemos ao nos relacionar com o dinheiro, através de uma das orações mais humanas da Igreja Católica:
“Confesso a Deus Todo-Poderoso/e a vós, irmãos,/que pequei muitas vezes/por pensamentos, palavras,/atos e omissões,/por minha, culpa,/minha máxima culpa”.
Até que o papa Francisco, na sua santidade, humanidade e carisma chega para nos libertar desse pesadelo.
Eis as declarações do Papa Francisco ao repórter Gerson Camarotti, da Globo News:
“Quando recebi um grupo de embaixadores que vieram me apresentar suas credenciais, disse que o mundo atual, em que vivemos, tinha caído na feroz idolatria do dinheiro. E que há uma política mundial, mundial, muito impregnada pelo protagonismo do dinheiro. Quem manda hoje é o dinheiro. Isso significa uma política mundial economicista, sem qualquer controle ético, um economicismo autossuficiente, e que vai arrumando os grupos sociais de acordo com essa conveniência.”
O Santo Padre continua: “O que acontece então? Quando reina este mundo da feroz idolatria do dinheiro, se concentra muito no centro. E as pontas da sociedade, os extremos, são mal atendidos, não são cuidados, e são descartados. Até agora, vimos claramente como se descartam os idosos. Há toda uma filosofia para descartar os idosos. Não servem. Não produzem. Os jovens também não produzem muito. São uma carga que precisa ser formada. O que estamos vendo agora é que a outra ponta, a dos jovens, está em vias de ser descartada.”
E arremata: “Então para sustentar esse modelo político mundial, estamos descartando os extremos. Curiosamente, os que são promessa para o futuro. Porque o futuro quem nos vai dar são os jovens, que seguirão adiante, e os idosos, que precisam transferir sabedoria aos jovens. Descartando os dois, o mundo desaba.”
Autoconsciência Financeira – É daí a necessidade urgente de assumirmos a Autoconsciência Financeira para enfrentar e superar, conscientemente, “esse modelo político mundial”, como define o Papa, a serviço do Grande Irmão Financeiro.

Que nos manipula desde a juventude com a promessa de descongelar nossos desejos. E que exige em troca nossas energias, na melhor fase de nossas vidas produtivas, e depois nos descarta quando idosos. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

“Cuidado com os agentes e gerentes do Grande Irmão Financeiro”

A cada texto que publico aqui troco ideias antes e depois com Victor José Hohl, ex-economista do Banco Central, que resolveu abrir o jogo e me deixar dividir com você como o Grande Irmão Financeiro mobiliza além dos seus publicitários e marqueteiros (veja post anterior), mobiliza também um exército de gerentes de bancos e gestores financeiros.
Que se especializam em induzir os investidores e correntistas a transferir renda dos seus bolsos para os cofres dos bancos através de juros sobre juros, de taxas de administração e de tarifas de corretagem.
“Cuidado com os agentes do Grande Irmão Financeiro”, me alerta Victor José Hohl, preocupado com o poder implacável do Grande Irmão Financeiro. Comentei com Victor José que exatamente por temer esse imenso poder que fundamento todos os textos publicados aqui, com informações já divulgadas por órgãos de imprensa sérios.
O que faço a mais é aproveitar as dicas de bastidores que ele, Victor José, me passa corajosamente, para usar como fio de meada que me ajuda a angular informações que venham nos ajudar no programa de Autoconsciência Financeira, que é, aliás, o objetivo de nossa parceria.
Pois bem, hoje vamos falar das brutais transferências de renda que os bancos realizam com quem decide aplicar seu dinheiro em Bolsa.
Os jornalistas João Sorima Neto e Roberta Scrivano, de “O Globo”, publicaram em 17 de março desse ano, a matéria “Investir em ações pode sair caro: taxas corroem até 50% do ganho”.
O texto mostra que as tarifas de corretagem variam de “R$ 1,99 e o mais alto chega a R$ 25, não importando se o investidor negociou R$ 100 ou R$ 10 milhões”.
E num exemplo típico do jornalismo de serviços de “O Globo”, relatam: “Isso sem contar a taxa de custódia, valor que é cobrado mensalmente pelas corretoras para ‘guardar’ e administrar as ações. Somando todas as taxas, no fim das contas, a rentabilidade do investimento em ações pode ser corroída em até 50%.”
O ponto alto dos serviços prestados por “O Globo” é o detalhamento de uma aplicação que promete 5% ao mês, que faz com que o investidor desavisado (a imensa maioria) termine com minguados 3,12%, numa situação ou a metade dos 5% prometidos, em outra.
Acompanhe a simulação de uma das fontes do jornal:
“Ele usa como exemplo um investimento de R$ 5 mil em ações, com ganho de 5% num período de 30 dias. O rendimento bruto é de R$ 250. Considerando que o investidor vai pagar a taxa de corretagem mais alta do mercado, R$ 25; uma taxa de custódia de R$ 10, a média do mercado, além do 0,033% referente aos emolumentos e liquidação, cobrado pela BM&F Bovespa, o rendimento cai para R$ 156,17. Ou seja, os 5% de rentabilidade se transformam em 3,12%.”
O texto continua: “E se a taxa de corretagem for a da tabela Bovespa, que é de 0,5% sobre o valor do negócio mais R$ 25,21, os R$ 250 se transformam em R$ 104,50. A rentabilidade cai para menos da metade”.
No geral, a matéria ajuda. Mas ao tentarmos assimilar as principais sugestões, temos a sensação de os jornalistas se esforçaram para orientar o leitor, tomando cuidado para não arrombar a porta do Grande Irmão Financeiro.
É como se os jornalistas estivessem num congresso de raposas habilidosas que tentassem provar suas boas intenções, enquanto aguardam o repórter fechar seu bloco de anotações e virar as costas, para caírem em cima das galinhas indefesas.
“O Globo” é um veículo insuspeito mas basta um pouquinho de experiência nesse ambiente de informações para percebermos e agradecer um jornal tão tradicional mesmo quando adota cuidados para publicar informações tão corajosas.
Apesar de editá-las como “alertas” em vez de escancarar, como tentamos fazer aqui, e tratar o assunto como uma denúncia que mobilize seus leitores.
Revista Exame
Mas vivemos novos tempos. Em que o universo conspira a favor da Autoconsciência Financeira. A ponto de podermos contar com as dicas de bastidores sinceras e corajosas, que nos passam o ex-economista do Banco Central, Victor José Hohl.
E a partir dessas dicas refletir com nosso respeitável leitorado, em torno das análises como a publicada na “Revista Exame”, Edição 1048, que está nas bancas, com data de 4 de setembro de 2013.
No “Guia Exame Investimentos Pessoais/2013”, a gente aprende a partir da página 10, que “4,8 milhões de investidores estão jogando dinheiro fora – ou melhor, jogando dinheiro no bolso dos gestores que administram seus recursos”.
Trata-se, explica a revista, de quase metade de cotistas do Brasil. E avança: “Essa gente toda paga taxas de administração muito mais altas do que o que seria razoável”.
Coitados.
Corajosa, não se esperava outra atitude da “Exame”, a revista dá nome aos bois, ao falar do fundo DI Classic, o mais caro do país, do banco Santander, que cobra 5% de taxa de administração.
“Em 12 meses, o fundo teve um rendimento líquido de apenas 2,4%, o que corresponde a cerca de 4 milhões de reais, divididos entre 176 mil cotistas. Já o banco recebeu 161 milhões de reais, como resultado da aplicação da taxa de administração sobre o patrimônio.”
Pasme! E faça uma continha simples ao dividir R$ 4 milhões por 176 mil cotistas. Chegará ao valor de R$ 22,72 por cota, ao final de 12 meses. Enquanto isso o Santander (quem afirma é a insuspeita “Exame”) embolsou R$ 161 milhões, no mesmo período. Ou, aproximadamente, 7 milhões de vezes mais do que o rendimento de cada cota.
Só essa informação seria motivação suficiente para você correr às bancas e comprar a “Exame”.
Mas calma aí, que tem mais. Na mesma edição da revista, vem um box que trata do Hiperfundo, do Bradesco, que é o maior fundo DI do mercado, com um patrimônio de R$ 5,4 bilhões e 341 mil cotistas, que pagam uma taxa de administração de 3,9%, “uma das mais altas do mercado”, segundo a revista.
Vamos às contas da “Exame”: “No último ano, o fundo rendeu 213 milhões de reais em taxas. O rendimento para os cotistas foi de 191 milhões de reais nos últimos 12 meses.”
Compare, agora, os ganhos de cada cota com o do Bradesco: R$ 191 milhões dividido por 341 mil é igual a R$ 560,11 por cota. Enquanto isso, o Bradesco embolsou R$ 213 milhões algo ligeiramente superior a 380 mil vezes o repasse a cada cota.

Isso posto, espero que você concorde com Victor José Hohl e comigo em nossa cruzada a favor da Autoconsciência Financeira.